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Dois Caminhos Diferentes Para a Fantasia Sombria

 Não é difícil entender o motivo do Grimdark (ou fantasia sombria) ter se tornado tão desinteressante nos últimos anos. Surgindo inicialmente como uma resposta para a fantasia épica à la Senhor dos Anéis, a fantasia sombria veio para acabar com a dualidade do bem/mal, certo/errado, criando apenas áreas cinzentas em mundos fantásticos cada vez mais... sombrios. E isso é bom. Quer dizer, a ideia de gerar mundo mais sombrios e perigosos para seus personagens que agora não eram heróis tão definidos, mas tendiam a ser heróis por ocasião. Ou às vezes nem isso. Não demorou muito para a fantasia sombria descambar para o que há de pior na fantasia. Existe uma piadinha ácida que diz que para uma fantasia medieval existir tem que ter dragões e estupros. Basicamente as histórias pararam de ter personagens cinzentos sobrevivendo em mundos complicados para ser apenas desculpa para violência exacerbada e, ouso dizer, pervertida e perversa, por parte de certos autores. Eu não quero entrar na discu...

2022 foi uma corrida e eu alcancei a linha de chegada

 Como eu já havia dito aqui , não sou um cara que corre muito. Seja na vida real, seja na escrita. Costumo produzir minhas histórias bem devagar e fazia anos que eu não terminava algo. Em 2022, as coisas mudaram. Consegui finalizar três romances inteiros, iniciei outros, sem contar alguns contos e revisar uma noveleta. Que grande mudança! Mas como cheguei a isso? O que houve de diferente nesse ano? A primeira coisa que eu tenho que deixar claro é que não é só mérito meu e esse tipo de coisa ia acontecer, uma hora ou outra. O primeiro romance que eu finalizei (vamos chamar de CdSMA) tem esqueleto desde 2013, mas comecei a escrever, de fato, no final de 2020. Não foi uma escrita ininterrupta, mas eu sempre voltava e produzia alguma coisa ao longo dos dois anos, até chegar a uma versão "aceitável" para mim (entre aspas porque ainda acho que posso mexer em uma coisa aqui ou outra, apesar de ser uma versão aproximada do final). CdSMA é um romance de piratas que mistura drama, roma...

Seu Protagonista Pode Ser Desagradável — E Isso É Bom

  Não é o protagonista, mas ilustra bem o que quero dizer (Descrição da imagem: Stannis Baratheon, da série Game of Thrones, um homem de meia idade, um pouco calvo, com cabelo e barba cinzentas. Usa uma armadura com um símbolo de um alce dentro de um coração em chamas no peito. Tem o olhar sério e, desfocado lá trás, alguns soldados portam armas.) É sempre gostoso pegar um livro novo, sentir o seu cheirinho e penetrar naquele universo com personagens agradáveis. Gente com quem você vai se importar. Que vai te inspirar ou vai te fazer, se não querer ser aquela pessoa, tê-la como amiga. É muito comum, na literatura, o pensamento de que seu protagonista precisa ser uma pessoa agradável porque isso gera empatia. Se as pessoas se importam com seu protagonista, é muito mais fácil para ela continuar aquela leitura até o fim e/ou se importar com o caminho que está sendo percorrido. Quanto mais o seu leitor se importar com as pessoas que estão no centro daquela história, melhor algumas cena...

Escrever um romance é uma maratona (e eu sou um sedentário)

Meu computador sempre parece assim quando vou escrever. (Descrição: cena do filme Naked Lunch, de 1991. Vemos a nuca de um homem branco de óculos e ele encara uma mesa de madeira com uma máquina de escrever que se assemelha a um besouro.)  Nunca me considerei um escritor de contos. Assim, eu tenho uma parcela deles na internet (na verdade, publicado mesmo tenho apenas contos), mas meu foco sempre foi escrever coisas mais longas. Sempre fui de escrever romances, engavetados em sua grande maioria, não terminados em quase toda sua totalidade, um número baixíssimo deles finalizados e sendo trabalhados para uma publicação. Apesar disso, sou um romancista e dessa forma, sofro as dores de escrever um romance. Afinal de contas, escrever um romance é como correr uma maratona. E eu sou um cara sedentário. Correndo e Escrevendo Haruki Murakami em uma das suas corridas (Descrição da imagem: um homem japonês com cerca de 40 anos usando roupas de corrida com um papel de numeração típico de marat...

Dan Brown: Em Defesa Dos Livros Ruins

  ORIGEM É de conhecimento seu, se já está um pouco mais envolvido na literatura ou se já leu bastantes coisas, inclusive da pessoa que vou citar, que Dan Brown não é um bom autor. Ninguém sério o leva a sério de verdade, o cara é uma espécie de Sidney Sheldon contemporâneo, para o bem e para o mal. Seus livros são repetitivos em storytelling, na narração, nos personagens e até mesmo nos temas. Ele não escreve bem, para falar a verdade, e uma boa revisão ia limar pelo menos metade de cada romance seu. E mesmo assim eu gosto. Minha pequena coleção de livros dele, com exceção do O Código da Vinci, que está emprestado, e Origem, que está no Kindle (Descrição: pequena prateleira de madeira com os livros empilhados em pé, um verde chamado Fortaleza Digital, um azul-gelo chamado Ponto de Impacto, um vermelho chamado Anjos e Demônios, um amarelo e preto chamado O Símbolo Perdido e um amarelo e cinza chamado Inferno. Em cima, alguns outros livros empilhados.) Estou falando do Dan Brown ago...

Aviso Aos Navegantes

Antigamente, há uns vinte anos atrás, falava-se da internet em termos marítimos. "Navegávamos" na internet, "surfávamos" em sites e blogs, acabávamos enredados na rede embolada que era esse mundo novo. Hoje em dia esses termos saíram fora de moda, mas sempre gostei da ideia de navegar e vou continuar usando-a ao longo desse texto. Afinal, isso aqui é um blog, e assim como o termo "navegar" ou "surfar" já não é mais usado por aí, os blogs também não. De toda forma, isso é um blog pessoal. Um barco novo, flutuante em algum cais há muito abandonado. E qualquer um está convidado a subir nele e ouvir a falação interminável do capitão. Eu na época em que tinha o cabelo grande e uma coluna para ler debruçado (Descrição: homem branco com cerca de vinte e cinco anos, de cabelos longos e encaracolados e barba debruçado numa cama enquanto segura e lê compenetrado um livro) E QUEM É ELE? O capitão sou eu, prazer. Chamo-me Roger Portela e meu pseudônimo de au...